Venda da Opway: Almerindo Marques, antigo presidente da construtora, regressa agora como dono

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O leilão da Opway, construtora que integrava o Grupo Espírito Santo (GES), chegou a ter três interessados: as empreiteiras Nadhari (moçambicana) e Prebuild (angolana), e um grupo de quadros, presente na corrida com uma proposta de Management Buy Out (MBO). Na altura, o processo de venda originou a contestação da Prebuild. A construtora angolana de capitais portugueses defendeu então que o leilão estava viciado a favor do MBO e saiu da corrida. Semanas depois foi a vez da moçambicana Nadhari, que havia oferecido um valor muito superior aos dos outros dois licitadores (5 milhões de euros) pela Opway e que foi dada como inapta a prosseguir com a compra ao falhar na prova de capacidade financeira. A construtora do GES acabou por ser vendida ao grupo de quadros, confirmando as previsões da Prebuild, que, ao que se sabe até à data, não apresentou qualquer queixa ao Tribunal do Luxemburgo.

Construtora do Grupo Espírito Santo foi vendida por 1,3 milhões de euros.

Almerindo Marques regressou esta quarta-feira à Opway, mas já na qualidade de dono da construtora, juntamente com mais dois quadros da empresa.

A construtora do Grupo Espírito Santo (GES) foi vendida ao grupo de quadros da empresa, liderados por Almerindo Marques, por 1,35 milhões de euros.

Contactado pelo Público, Almerindo Marques confirmou o seu regresso à construtora, escusando-se a fazer comentários sobre as medidas que vai tomar para resolver a delicada situação financeira da empresa.

Jornal de Negócios avançou, na edição desta quarta-feira, que a venda foi concretizada ao gestor, que estava demissionário da presidência da construtora desde o final de janeiro, antes da realização do leilão de venda.

Tal como o Público já tinha avançado, o Management Buy Out (MBO) de Almerindo Marques acabou por ficar como único interessado na compra da construtora após a moçambicana Nadhari, vencedora do leilão, ter falhado a prova de capacidade financeira para a sua aquisição.

A Nadhari tinha oferecido um valor quatro vezes superior ao dos restantes candidatos: o MBO liderado por Almerindo Marques, classificado em segundo lugar, e a Prebuild, em terceiro.

Em face da contestação da Prebuild, que se recusou a assinar a ata do último leilão, a ES Industrial, empresa do GES que se encontra em processo de liquidação, ainda  tentou convocar nova licitação entre os dois restantes candidatos.  A Prebuild, que se queixou ao afirmar que “todo o processo estava viciado”, de forma a entregar a empresa a Almerindo Marques, não aceitou novo leilão.

Os trabalhadores da Opway serão os primeiros interessados em ver o processo de venda concluído. Ao que o Público apurou, os funcionários terão recebido apenas metade do salário de janeiro, uma informação que, no entanto, não foi possível confirmar oficialmente.

Na carta enviada pela ESI, liderada por Caetano Beirão da Veiga, às empresas que manifestaram interesse em comprar a construtora, foi assumido que a empresa precisa de 700 mil euros no curto prazo para pagar salários, renovar o alvará e depositar uma caução de uma obra da Refer.

Antes de cessar funções e dois dias antes do leilão, a administração da Opway, liderada por Almerindo Marques, submeteu a companhia a um Plano Especial de Revitalização (PER), processo que pode reduzir substancialmente a capacidade de recuperação, por parte dos credores, de cerca de 350 milhões de euros em dívidas.

A Opway é responsável pela construção de uma parte dos acessos ao túnel do Marão, obra que terá de estar concluída até ao final deste ano.

Por: Rosa Soares | Fonte: Público | Fonte (imagem): Paulo Pimenta

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