Sócrates e Santos Silva foram a Nova Iorque ao encontro do vice-presidente de Angola para interceder pelo Grupo Lena

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José Sócrates já admitira ter intercedido favoravelmente ao grupo Lena junto de Manuel Vicente, o vice-presidente de Angola. Porém, segundo o jornal Sol, esta mediação não terá acontecido apenas por via telefónica, incluindo um encontro presencial com o alto representante angolano nos Estados Unidos…

Afinal a ajuda de Sócrates ao Grupo Lena não se ficou por um telefonema ao vice-presidente de Angola. O ex-primeiro-ministro e Santos Silva viajaram para Nova Iorque, para encontrar Manuel Vicente.

O ex-primeiro-ministro José Sócrates já tinha admitido, em entrevista recente à SIC, que tinha telefonado ao vice-presidente de Angola, Manuel Vicente, para interceder pelos negócios do Grupo Lena. Mas afinal Sócrates não se ficou apenas por um telefonema. O Sol noticia esta sexta-feira que, no final de setembro, o ex-governante e o amigo Santos Silva voaram à pressa até Nova Iorque para se encontrarem com Manuel Vicente, no consulado de Angola naquela cidade.

A história terá começado na verdade por um telefonema de Sócrates a Manuel Vicente, em que o ex-primeiro-ministro explicou que o Grupo Lena, “a quem devia atenção”, estava interessado num concurso público em Angola, na área da construção e tentou marcar um encontro entre ele e os patrões do Grupo Lena em Luanda, mas como Manuel Vicente estava de viagem marcada para Nova Iorque, Sócrates logo disse que iria lá ter com ele. E, segundo o Sol, Sócrates e Santos Silva compraram bilhetes à pressa para irem encontrar-se com Manuel Vicente a Nova Iorque.

Aquando da detenção, Sócrates chegou a ser questionado sobre este encontro pelo juiz Carlos Alexandre, e depois de ter negado, acabou por confirmar que teria ido a Nova Iorque encontrar-se com o governante angolano, mas para tratar de assuntos triviais, conta o Sol.

Para quem está a investigar Sócrates no âmbito da Operação Marquês, esta questão da relação com Angola levanta dúvidas e interessa, na medida em que pode configurar crime de tráfico de influências e reforça os indícios de corrupção e favorecimento do Grupo Lena.

Embora o ex-primeiro-ministro, na entrevista dada à SIC, tenha dito que intercedeu pelo Grupo Lena com “gosto” e “por mera simpatia” e sem “nenhum interesse que não fosse ajudar uma empresa portuguesa, como aliás”, diz, ter feito “com outras”. Mais recentemente, em entrevista à RTP, também o seu advogado, João Araújo, disse que a questão de Angola não tinha “importância nenhuma”.

Por: Marlene Carriço | Fonte: Observador | Fonte(imagem): AFP/Getty Images

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