Soares da Costa prepara despedimento coletivo de mais de 200 trabalhadores inativos

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Já foi a maior empresa de construção portuguesa, mas tem hoje sede operacional em Luanda e prepara-se para avançar com um despedimento coletivo em terras lusas. A Soares da Costa tem neste momento 272 colaboradores que estão há vários meses em casa por falta de trabalho. A empresa está a reunir os meios financeiros para assegurar a redução de pessoal em Portugal. O Sindicato da Construção elogia a forma como a construtora tem gerido a situação.

A Soares da Costa prepara-se para fazer um despedimento coletivo que pode abranger mais trabalhadores do que os 272 que se encontram em casa por falta de trabalho há vários meses, apurou o Público junto de fonte conhecedora do processo.

“O universo de trabalhadores a abranger no despedimento dependerá da carteira de encomendas da construtora no momento em que for decidido, bem como nos recursos financeiros que a empresa tiver disponíveis para financiar o processo de redução”, explicou a fonte, clarificando que a decisão ainda não foi tomada.

A empresa está a negociar um financiamento de aproximadamente 80 milhões de euros, que deverá ser assegurado por capitais angolanos, para suportar o processo de reestruturação que pretende concretizar.

A construtora Soares da Costa é controlada em 66,7% pelo empresário angolano António Mosquito. Os restantes 33,3% ficaram mas mães da SDC Investimentos, cotada em bolsa e controlada maioritariamente pelo empresário Manuel Fino.

Joaquim Fitas, presidente executivo daquela que chegou a ser a maior construtora portuguesa, assumiu recentemente uma nova orientação estratégica para empresa, cuja “sede operacional” passou a estar localizada em Luanda.

Atualmente, a empresa tem um universo aproximado de 1.400 trabalhadores em Portugal, entre quadros superiores, administrativos e trabalhadores afetos à atividade construção. Por falta de obras, a empresa tem 272 trabalhadores em casa, há vários meses.

A empresa também tem registado atrasos no pagamento de salário, em Portugal e em Angola, não tendo pago a totalidade do vencimento de abril, situação que deverá ser regularizada nos próximos dia, apurou o Público.

Em declarações à Lusa, o presidente do Sindicato da Construção, que esteve reunido com o presidente executivo da Soares da Costa, declarou-se defensor dos postos de trabalho, mas considerou que nesta situação “a atitude da empresa até é louvável porque foi até ao limite e, se fosse outra, não teria aguentado tanto tempo”.

Descrevendo a reunião que manteve na terça-feira com a administração da Soares da Costa como “a mais triste” que teve “enquanto sindicalista”, Albano Ribeiro diz ter “conhecido a empresa com 7.500 trabalhadores só na construção” quando atualmente estes não passam dos 800 (nessa área).

Recordando que a construtora “chegou a ter em simultâneo 100 obras em Portugal, mas hoje só tem três” (uma no Porto, outra em Coimbra e uma terceira em Lisboa), Albano Ribeiro admitiu que a manutenção dos trabalhadores em casa ter-se-á tornado insustentável. “É uma situação que não é confortável para a empresa”, disse, acrescentando que “foi pela falta de obras que se chegou a este ponto”.

De acordo com o sindicalista, o agravar da situação no setor levou já a construtora portuguesa a encerrar as sucursais que possuía no Brasil e na Roménia, sendo o objetivo recuperar do passivo de 230 milhões de euros que somava em novembro de 2014.

Em ano de eleições, o presidente do Sindicato da Construção está convicto que “vão ser lançadas e retomadas várias obras” no país, quer na área do parque escolar e hospitalar, quer da reestruturação da via-férrea e na rodovia.

“O primeiro-ministro vai fazer isto porque as obras dão muitos votos, mas o voto dos 150 mil [trabalhadores da construção]que deixaram de ter trabalho em Portugal ele não vai conseguir”, sustentou o sindicalista.

A Soares da Costa não divulgou resultados de 2014. A SDC Investimentos, cotada em bolsa, que detém uma participação minoritária de 33% da construtora, encerrou o último ano com um prejuízo de 14,9 milhões de euros, uma melhoria face aos 50,7 milhões de euros de resultados negativos de 2013.

Por: Rosa Soares | Fonte: Público

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