Mundial do Qatar : Bastidores negros com ameaças e trabalhos forçados

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A denúncia é feia pela Amnistia Internacional, através de um relatório com o título “O lado feio do jogo bonito: Exploração nas obras do Campeonato do Mundo de 2022”, onde a organização alerta para as precárias e desumanas condições de trabalho de todos aqueles que participam na construção das infraestruturas que servirão para acolher a competição, realizada no Qatar.

A Amnistia relata casos de trabalho forçado e de abusos sistemáticos, com os quais tomou contacto na sequência de várias entrevistas aos migrantes envolvidos nas obras de renovação do Estádio Califa, em Doha, e na manutenção do complexo desportivo Aspire Zone.

 

Qatar: “Paraíso-prisão”

A Amnistia acusa o Governo do Qatar e a FIFA, de pouco fazerem em defesa dos homens que estão a construir os palcos do Mundial 2022.

 A exploração começa, alegadamente, mesmo antes dos trabalhadores chegarem ao Qatar, uma vez que nos seus países de origem é realizado um pagamento (a rondar 356 a 3.830 euros) a angariadores de mão-de-obra, que poderiam abrir as portas do paraíso de oportunidades.

A maioria vai ao engano. Uma vez chegados ao país anfitrião do Mundial 2022, os salários prometidos são muito inferiores ao prometido e chegam com meses de atraso. Quando chegam.

“O meu salário é de 200 dólares por mês, não chega para cobrir as minhas despesas aqui, pagar a dívida ao angariador e enviar dinheiro para a minha família”, conta “Deepak” (nome fictício), um dos 234 trabalhadores entrevistados pela Amnistia.

Originários de países como Bangladesh, Índia ou Nepal, quando aterram no Qatar para trabalhar na reconstrução do Estádio Califa ou na manutenção do complexo desportivo Aspire Zone estes migrantes ficam nas mãos dos empregadores.

Muitos são obrigados a entregar o passaporte e, ao abrigo de um regime laboral designado por “kafala”, só podem mudar de emprego se o empreiteiro autorizar.

Se protestarem ou insinuarem que tencionam apresentar queixa contra as más condições de trabalho, muitas vezes são ameaçados pelos subempreiteiros.

“A minha vida aqui é como uma prisão. O trabalho é difícil, trabalhamos muitas horas debaixo de calor intenso. Quando me queixei pela primeira vez, pouco depois de chegar ao Qatar, o patrão respondeu-me: ‘Podes fazer queixa, mas haverão consequências. Se queres continuar no Qatar cala-te e continua a trabalhar’

“Ser trabalhador migrante no Qatar é uma vida de incerteza, sem direitos, ser humilhado frequentemente. É uma situação terrível. São pessoas que sofrem em silêncio, em condições horríveis, cujas experiências estão longe do que vemos na cidade, nos hotéis e nos pontos turísticos”, sublinha.

Cartão vermelho à FIFA e ao Qatar

A Amnistia acusa o Governo do Qatar e a FIFA, de pouco fazerem em defesa dos homens que estão a construir os palcos do Mundial 2022.

O relatório da Amnistia Internacional critica a apatia e indiferença face à exploração dos trabalhadores migrantes.

Acusa o Governo do Qatar e da FIFA, o órgão máximo do futebol internacional, de pouco ou nada fazerem em defesa dos homens que estão a construir os palcos do Mundial 2022.

“Num contexto em que o Governo do Qatar se mostra apático e a FIFA é indiferente, será quase impossível que o Mundial de Futebol seja organizado sem abusos”, afirma o secretário-geral da Amnistia Internacional.

Fonte: TSF | Fonte (imagem): TSF e  Amnistia

Controle, em pormenor, a atividade das suas máquinas e pesados nas diferentes obras.

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