Lisboa mais turística e menos emblemática no centro da polémica

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Lisboa está a ficar com uma nova cara, cada vez mais marcada pelo crescimento da procura turística na capital que obriga a investimentos que garantam uma oferta qualificada, levando consequentemente à destruição de locais emblemáticos.

Primeiro surgiu a notícia de transformar o edifício do “Diário de Notícias” e da Rádio Renascença em hotéis, agora é a vez das discotecas Jamaica, Tokyo e Europa no Cais do Sodré terem o mesmo destino. Lisboa bate recordes no turismo e a tentação de encontrar alternativas de alojamento é grande.

A fórmula é simples: o aumento generalizado da procura imobiliária nas áreas centrais da capital, o crescimento do número de turistas e a escassez de oferta qualificada, devido ao significativo número de imóveis devolutos, têm conduzido a um investimento cada vez maior em obras de reabilitação em detrimento de construção nova.

De acordo com a consultora Worx, as licenças de obra que deram entrada na Câmara Municipal de Lisboa, entre 2014 e 2015, são na sua maioria intervenções em edifícios já existentes. E em 2015, 35% do total das licenças emitidas são para obras nas áreas históricas das freguesias de Santo António, Santa Maria Maior e Misericórdia.

Mas as alterações não ficam por aqui. Também o emblemático edifício do Braz & Braz, em pleno coração de Lisboa, vai ser transformado num hotel de quatro estrelas pela mão da Sotelmo. A empresa dona do Hotel Mundial e Hotel Portugal, localizados também na baixa da capital, vai investir um total de 17,5 milhões de euros na compra e reabilitação deste imóvel.

O novo hotel, instalado nos oito mil metros quadrados do antigo Braz & Braz, vai ter 120 quartos, um restaurante, bar, piscina interior, ginásio, spa e salas de reunião.

Esta descaracterização da cidade tem vindo a preocupar alguns moradores de bairros históricos da cidade. O descontentamento não é novo. No passado mês de fevereiro, os presidentes das juntas de freguesia do centro histórico de Lisboa – Santa Maria Maior, São Vicente, Misericórdia e Santo António –, preocupados com “os problemas levantados pela pressão turística”, decidiram fazer um conjunto de exigências à câmara e ao governo. Entre elas a de que haja “uma maior regulamentação e legislação que limite a proliferação desmedida dos alojamentos locais e hostels”.

Também o PCP apresentou na última reunião da Assembleia Municipal de Lisboa uma proposta de suspensão dos processos de licenciamento de atividades de novas unidades hoteleiras e proceda a uma avaliação do impacto das existentes na qualidade de vida dos cidadãos e de quem visita a cidade”.

A proposta acabou por ser recusada. Ainda assim, a Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) mostrou-se surpreendida com esta iniciativa. De acordo com a entidade, “a hotelaria não tem contribuído para qualquer degradação da qualidade de vida dos habitantes de Lisboa nem para o desenvolvimento insustentável da cidade, bem pelo contrário. Seguramente haverá aqui uma confusão que está disponível para ajudar a esclarecer”.

Fonte: Jornal I (adaptado) | Fonte (imagem): Diário de Notícias

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