Construção Algarve : A Bolha que rebentou e abalou o “El Dorado Português”

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Os últimos anos não têm sido fáceis para quase nenhum sector de actividade em Portugal, particularmente para o sector da construção. O abalo da crise foi sentido em todo o país, com a redução do investimento, do número de obras e consequentemente com a falência de construtoras e empresários.

Mas se hoje assistimos ao fim do “El Dorado” Angolano, nos últimos anos assistimos ao fim do “El Dorado Algarvio”. Durante vários anos, esta região do país foi uma nascente de empreendimentos. Foi aliás graças ao sector da construção e do imobiliário que esta região se ergueu (assentes obviamente no Turismo).

Cresce o Turismo, crescem negócios, crescem empreendimentos, crescem investimentos – aumenta o crédito malparado no início da crise imobiliária viral dos Estados Unidos. O país enfrenta a dependência do financiamento externo, e a economia é obrigada a um rigor e contenção a que a região não estava habituada nos últimos 20 anos. O desemprego dispara.

O FIM DO “ EL DORADO ALGARVIO”

Durante anos a região atraiu inúmeros empresários do sector de construção, em busca de mais oportunidades, oportunidades escassas no resto do país e só possíveis no Algarve. Manuel Gonçalves (presidente regional da Associação de Empresas de Construção, Obras Públicas e Serviços (AECOPS) )retratou o início da crise “Muitas empresas vieram do norte e do centro do país trabalhar para o Algarve, procurando no Sul uma alternativa à falta de trabalho.” A solução para o problema parecia ser a exploração do valor das empreitadas “Procuravam ganhar os concursos a qualquer preço, para se aguentarem.” A seguir, acto quase contínuo, chegaram os “incumprimentos em cadeia”. Ao mesmo tempo, diz, o Governo “decide cortar tudo o que era pagamentos das obras públicas, mas continuou a exigir o cumprimento das obrigações fiscais”.

Algarve-Construção

Para Manuel Gonçalves, os construtores “tiveram, em muitas situações, de entrar com bens pessoais para segurarem as empresas, e mesmo assim foram ficando pelo caminho”. Um dos casos mais conhecidos foi o de um empresário de Almancil, que se suicidou há cerca de três anos no estaleiro da obra, depois de ter vindo de uma reunião em Lisboa com entidades bancárias. A empresa familiar, que dirigia, chegou a ter mais de centena e meia de trabalhadores. Carlos Ataíde, economista, adianta que “não foram só os grandes a fechar porta”, e que “os pequenos também não sobreviveram”.

Depois da Tempestade

Neste momento, Manuel Gonçalves diz ver no mercado “sinais de recuperação” e alguma “selecção natural” ditada pela própria crise. “As empresas tinham pouco capital próprio, as que se aguentaram foram as que conseguiram a reformulação dos financiamentos.” Elidérico Viegas conclui: “A bolha imobiliária, empurrada pela facilidade de crédito, deixou o Algarve a flutuar.” Actualmente, comenta, “as coisas estão a mudar, mas ficam longe do que já foram”.

Fonte: Público (adaptado) | Por (Luís Villalobos e Idálio Revez )

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