Consórcio de construção metálica fecha contrato de 150 milhões com empresa norueguesa que trabalha para a Total

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Este é mais um caso de sucesso na diversificação de serviços que alguns negócios se veem motivados a operar por causa da austeridade e consequente baixa da procura. No caso da construção metálica, por exemplo, a solução encontrada foi apostar na exportação para mais mercados e em novas indústrias. Para o sucesso desta diversificação muito tem contribuído a imagem “Metal Portugal” (leia mais sobre o assunto aqui). Setor tem apostado nas construções para a indústria petrolífera e quer exportar 3% do PIB em 2030.

A redução da atividade de construção civil e obras públicas levou o subsetor da construção metálica a apostar noutras áreas, como a da indústria petrolífera e gás natural, e a diversificar mercados de exportação. A nova estratégia já está a dar resultados, como mostra o contrato de 150 milhões de euros assegurado por várias empresas portuguesas com uma firma norueguesa que trabalha para a multinacional Total.

As estruturas metálicas contratadas têm como destino Angola, onde a Total tem atividade petrolífera e onde algumas das empresas portuguesas envolvidas já estão presentes, explicou ao Público Filipe Santos, presidente da Associação Portuguesa de Construção Metálica e Mista  (CMM).

O consórcio envolve cerca de duas dezenas de empresas, desde projetistas a fornecedores de matérias-primas e de fabrico de estruturas metálicas, sendo que estas últimas possuem todas o selo Quality Steel, uma certificação de qualidade do aço português que, segundo Filipe Santos, “se está a revelar importante na afirmação do setor a nível internacional”.

O envolvimento neste contrato de uma empresa norueguesa, cuja identidade não foi revelada por razões concorrenciais,” tem relevância, porque concretiza uma ambição do setor de entrar na Noruega, onde há uma forte indústria petrolífera e de gás. Este país também tem em curso um ambicioso plano de construção de infraestruturas”, adiantou Filipe Santos.

Atualmente, várias empresas nacionais têm em perspetiva a formalização de contratos de construção de pontes metálicas e outras obras na Noruega, uma porta que foi aberta por Cavaco Silva e pela AICEP, na recente visita oficial ao país, refere o líder associativo.

Segundo o presidente da CMM, que integrou a comitiva oficial, o próprio contrato para Angola estava a ser trabalhado há algum tempo, mas foi acelerado depois da visita presidencial.

O setor, que esta sexta-feira promove uma conferência no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, sobre o futuro da construção metálica, exportou 1500 milhões de euros em 2014 (1% do PIB). A ambição é atingir 4500 milhões de euros de exportações no espaço de 15 anos (3% do PIB). Para este crescimento, a indústria vai continuar a apostar na internacionalização, que atualmente está particularmente centrada nos países emergentes, com destaque para Angola, Brasil. Colômbia, Bolívia, Peru, Argélia, Marrocos e Tunísia.

Na Europa, as empresas nacionais tem conseguido forte exportação para França, beneficiando de uma nova arquitetura que incorpora elementos de metal em obras de média e grande dimensão. Apesar do nível de exigência dos arquitetos franceses, as empresas nacionais têm-se saído “como peixes na água”, refere Filipe Santos.

O setor tem crescido a um ritmo de 30% ao ano, fundamentalmente devido às exportações (que ascendem a 80% da produção total) e à evolução tecnológica da indústria do aço. O presidente da CMM destaca ainda como vantagens competitivas o facto desta indústria incorporar mais tecnologia do que o betão e de se basear em elementos pré-fabricados, que são mais leves e fáceis de transportar, o que reduz os custos das exportações para qualquer parte do mundo.

 

Certificadas 12 empresas

O processo de certificação Quality Steel, lançado no ano passado, já foi atribuído a 12 empresas, mas nenhuma conseguiu atingir o grau de ouro, o que é explicado pelos critérios apertados da avaliação, que abrange a qualidade das matérias-primas e equipamentos, normas de segurança e preocupação ambiental. Do universo de empresas certificadas, oito receberam a qualificação de prata e quatro a de bronze. Em pipeline encontram-se mais oito empresas.

O universo total de empresas do setor ascende a cerca de uma centena, assegurando cerca de 16 mil empregos diretos.

Por: Rosa Soares | Fonte: Público

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